"Se o galo cantar, você vai ficar assim pra sempre".
Era um moleque que não acreditava nessas coisas.
"Besteira, menina".
Fazia questão de assustá-la revirando as pálbebras do avesso.
Ria-se muito enquanto ela entortava a boca com desgosto
e esquivavasse daquela visão desagradável.
Nunca soube o nome do menino e não o vira nas férias seguintes.
Cresceu. Aprendeu que o canto do galo não faz das coisas para sempre.
Uma hora as pálbebras hão de retroceder.
Besteira, menina.

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