Parecia mágica passar o dedo indicador pela chama da vela e não sentir dor. Achava que só os mais velhos, espertos e altos podiam até descobrir como. Era simples, só não esperar. Correr o dedo pelo fogo, cutucá-lo e fugir.
Era das mais sagazes agora. Fazia para impressionar. Fazia porque sabia.
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Felicidade é um estado. Páginas em branco também.
Razão é a palavra mais tola que existe porque beijamos e abraçamos o infudado. Hoje nada me impele a sorrir, porém tudo parece motivo. Irracionalmente existo para fazer sem conseguir explicar.

Não sei. De mim, de ti, deles.
Não sei. Da minha roupa, do meu cabelo, do meu destino.
Acharia eu, passos atrás no meu incidentário, que não saber era amargamente duvidoso.
Sentava-me ao lado da angústia no almoço e dormíamos abraçadas a dividir o travesseiro, as cobertas. Mas houve uma vez que choveu com graça, caímos na multidão de dias e ela soltou da minha mão. Do outro lado da rua, naquele mesmo conjunto de horas, encontrei-me.
Não saber é delicioso, como passar a língua nas orelhas do vento.
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- Achas que fizeram o mundo deitados em um sofá, Antônio?
- Penso bem que não. Mas muitos destróem um pouco todo dia estando sentados em cadeiras.
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Deveriam pagar-me um salário para viver achando que as coisas vão melhorar.
Os dotados de preguiça macunaímica, mas com otimismo bem disposto hão de se encaixar.
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Do 4º andar, a vida parece-me melhor às vezes.
Mesmo que toque o chão, ainda estou no alto.
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Saí de casa mais cedo e o medo estava a me esperar sentando no batente da porta. Não dei-lhe uma lasca de olhar sequer. Veio a me seguir todo o caminho. Trocava eu de calçada, ele o mesmo fazia. Entrava e saía de lojas, o tal a me subir nos calcanhares.

No fim do dia, já cansada daquilo, daquele e de mim, encarei-o. Arqueei a sobrancelha direita, coloquei a mão na cintura como fazem as inquisidoras. O medo não esperava por aquilo. Deu-me as costas e enfiou-se na primeira esquina para ser engolido logo depois pela cidade.
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Já morri de amor 77 vezes.

Na primeira vez que estava prestes a desfalecer amando, reuni meus pais, como os moribundos reúnem seus entes queridos para as últimas palavras e suspiro. Contei todos os detalhes, nome e sobrenome, a carteira da classe que sentava e as notas que tirava. Tínhamos uns 10 anos, eu e ele. Nessa idade, as coisas dóem mais ou sentimos melhor. Não sei. Chorei copiosamente ao admitir "publicamente" meu mal.
Talvez eu tenha sido correspondida uma vez. E digo talvez porque ainda me afogam dúvidas sobre. Então, vivi nesse morre-renasce por muito.
Tenho esse vício de morrer assim porque amar é morrer estando morto antes de estar vivo, mas viver mesmo assim. Dizem que para morrer basta estar vivo. Para morrer de amor, nem isso. Sempre penso que não volto mais, porém no virar de um esquina aparece-me o próximo e é um arroubo de estourar o peito que nem balão de festa.
Já morri de muitas formas com essa mesma causa e hoje acho que vou morrer de novo, em breve.
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